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De: Rio de Janeiro/RJ Email: Contacto |
GUERRA FRIA
Havia uma guerra fria entre a China e a Turquia sem intervenção da CIA. Mil mensagens enviadas, todas interceptadas, eram logo decifradas. Até que uma bem pequenina foi enviada da China. Eram três letras iguais; três letrinhas, nada mais. Eu vou contar pra você: era T. T. T. Alvoroço na Turquia. O que a mensagem diria? Trabalharam noite e dia, mas a dúvida crescia. Porém, eis que de repente, viram surgir-lhes à frente, famoso decifrador: um humilde mercador dos contos de Malba Tahan. Um cara meio tan-tan que alguém mandou chamar. Foi: chegar e decifrar. Quer saber o que dizia? TÉRO TOMÁ TURQUIA. Nem todos acreditaram; muitos até debocharam: Mas que grande bobagem! Eu acho que é s...nagem! Não passa de brincadeira. Que besteira! Que besteira! Mas, pelo sim – pelo não, é bom tomar precaução. E, também com três letrinhas, também iguais e juntinhas, o turco contra-atacou e o chinês interceptou. E eu vou contar pra você: era B. B. B. Agora era a vez da China decifrar a “pequenina”. Dias e noites de ação e nada de solução. Então convocaram um monge que veio de muito longe (de um filme de kung fu) pra remexer o “angu”. O ancião cego e aleijado, já tinha até decifrado: chamou o oficial, desculpou-se “e coisa e tal”, falou-lhe ao ouvido e saiu. O oficial quase caiu. Quer saber o que ele ouviu? BAI BUTA BARIU!
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GANHEI NA LOTO
Ganhei na Loto. Ih, beleza pura! Fui morar em Ipanema numa cobertura. Casa de praia em Cabo-Frio. Que arquitetura! Carro do ano. Muita farra. E quanta loucura! Ganhei na Loto. Entrei de “pé direito”. A sogra foi morar comigo – nem tudo é perfeito. Credores mil em minha porta – isso dá-se um jeito. Novo rico. Emergente. Isso não é defeito. Ganhei na Loto. Veja que euforia! Apareceram uns parentes que eu não conhecia. Voltei a ver alguns amigos que há muito não via. As ex-mulheres me trouxeram filhos que eu não tinha. Ganhei na Loto. Não foi tão legal. Só de pensão alimentícia, foi “um carnaval”. Mais de quarenta em minha casa pra passar Natal. Minha vizinha me acusou de a**édio sexual. Ganhei na Loto. Foi uma pilhéria. Paguei tanta indenização, que fiquei na miséria. Caí nas mãos de agiotas. Coisa muito séria. E os parentes? E os amigos? Foram pra... “Sibéria”. Ganhei na Loto. Que azar o meu! Nossa empregada engravidou e disse que fui eu. Minha mulher me abandonou. Meu cachorro morreu. A polícia foi chamada e, quando me prendeu... eu acordei. Foi tudo um sonho. Dei graças a Deus!
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VOLTAR É O PIOR CAMINHO
Não hei de temer a morte e nem reclamar da sorte. Toque-se o barco pra frente. Olhar pra trás é pecado; o que passou é passado. Pra frente, que atrás vem gente! Tem um ditado certinho: “voltar, é o pior caminho”. Se, num ponto da estrada, gente, mal intencionada, me atrapalhar um pouquinho (lembrei-me da citação): todos eles passarão; e eu, é claro, passarinho. Recuar? Nem um passinho! Voltar, é o pior caminho. E, se ao chegar ao destino, aquele “céu”, que imagino, for coisa bem diferente... desarmo a barraca “na hora”; faço as malas, vou-me embora. O Inferno é mais adiante? Sigo pra lá num instante. Teimoso eu sou (um pouquinho). Voltar, é o pior caminho.
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De: Rio de Janeiro/RJ Email: Contacto |
COMO SE UM TANGO BASTASSE
Nem sempre “frio en’el alma”; às vezes fogo no peito. Nem sempre o prazer e a calma; às vezes, a dor e o amor mal feito. Nem sempre “lábios calientes” ; às vezes, dentes cerrados. Um sibilar de serpente. Um veneno inesperado. Nem sempre mãos de veludo; às vezes garras e dentes; um rio alagando tudo, ondas “rompendo corrientes”. E, como se um tango bastasse, saímos bailando “por el salon”, como se nada importasse além dos acordes “del bandonion”.
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De: rIO DE jANEIRO Email: Contacto |
TESOURA E PAPEL
Era uma vez: um menino calado, franzino, mas de olhos espertos. Passava-se o dia e a gente esquecia que ele estava por perto. Natal se aproximava e o menino contava os dias nos dedos. Mas o dinheiro faltava, e ele mesmo inventava seus próprios brinquedos. Com uma tesoura, um cabo de vassoura, um papel cartão... E ora era um carrinho ora, um cavalinho ou um avião. E assim o tempo passou e, um dia, desencantou aquele “papai-noel”. E nunca mais, os problemas, resolveram-se apenas com tesoura e papel.
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